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1 de outubro de 2010

Constituição, eleição e etc . . .

Depois desses 22 anos de Constituição talvez haja mais perguntas do que respostas. Discussões sobre o quanto ela influência as relações sociais e as políticas públicas, sobre o quanto a gestão pública mudou a partir de 1988 e o que esta Carta trouxe de novo em termos de direitos e cidadania ainda estão em aberto.

Há duas formas distintas de se fazer esta análise, por um lado alguns pesquisadores respeitáveis afirmam que a Constituição de 1988 atendeu a reivindicações de movimentos sociais, por outro pesquisadores igualmente respeitáveis afirmam que ela tem um alto custo, atribui muitos direitos e por isso engessa as políticas públicas.

Entretanto para de fato compreender essa discussão é necessário se debruçar sobre as instituições que formam o sistema de justiça, pois é através delas que se desenham as garantias formais de direitos. No Brasil se escolheu o presidencialismo mas o desenho de relações é parlamentarista. Dentro dos poderes Executivo e Legislativo o voto é de coalizão e vale ressaltar ainda o excesso de Medidas Provisórias. Desse modo o Judiciário acaba por ocupar o espaço da garantia dos direitos e assume a função de incluir os excluídos no exercício desses direitos.

Vale ressaltar ainda que todas as outras cortes do mundo foram concebidas para funcionar como Cortes Constitucionais dentro de um regime estável, enquanto no Brasil o que vigora é o caos institucional, o que certamente dificulta o trabalho do Supremo. Há ainda o fato de que não apenas no Supremo mas também juízes de 1º e 2º grau cometem “falhas” por decisões políticas, pois não existe juiz ou procurador neutro, quando muito estes conseguem ser imparciais.

De 1988 à 1992 a maioria dos magistrados não julgava de fato pois faltava o julgamento de mérito. Assegurar o ingresso à justiça nesse tipo de sistema é discutível pois o que se coloca em xeque é a capacidade desse Judiciário de fazer justiça de forma efetiva.

O texto da Constituição Federal resultou de lutas não lineares e nada simples e por essa razão o texto constitucional não é nem linear nem simples. Na época acreditou-se que o texto satisfazia as necessidades do país e que bastaria que as Instituições se amoldassem a ele.

Se por um lado existem as críticas insinceras que afirmam que o texto constitucional é muito extenso e ainda assim ineficaz e ineficiente, pois pretensamente nada regula ou regula mal e anda de mãos dadas com infratores, existem também as críticas sinceras que precisam ser levadas em conta, uma vez que de fato o texto constitucional foi elaborado em meio a uma grande tensão e isso se reflete em suas linhas e muito do que foi aprovado pelos constituintes não entrou na redação final da Constituição Federal. A Constituição de 1988 acabou por adotar um desenho liberal para organizar um Estado social.

Para encerrar vale destacar o fato de que a Carta Constitucional não se faz sozinha e o Estado é de obrigação de seus cidadãos. A Constituição não é mais apenas uma carta de competência, por tanto não é mero instrumento de poder. A norma não é apenas texto mas também, e talvez principalmente, contexto. O poder constitucional não se limita ao poder formal e institucionalizado, é o poder informal e difuso que opera no cotidiano que dota de vida o texto constitucional e possibilita transformações (formais ou não) do ordenamento constitucional.


Desencavei esse texto lá do início/quase meio da graduação . . . Por que? temos eleições no domingo e galera por favor pesquisem a vida pregressa de seus candidatos. Não custa nada e quase não demora em tempos de internet banda larga!

9 de maio de 2010

Sobre aqueles que mamam

O vídeo foi ao ar faz um tempo e aposto que muita gente já viu.
Eu o vi a quase um mês e quis postar aqui mas sempre esquecia . . .
Agora eu lembrei!



Cidinha Campos foi atriz, apresentadora, comunicadora e a primeira repórter internacional do Fantástico. Já foi deputada federal e atualmente é deputada estadual (RJ). Foi relatora da CPI da Previdência.
Curioso é que ela fez uma peça de teatro depois que foi demitida da Globo chamada "Homem não entra" em que homem não entrava mesmo e que deu muito o que falar. A ditadura não gostou. Algum tempo depois os homens "ganharam" a peça " Agora, traga o seu homem". Devem ter sido peças bem interessantes, talvez eu pesquise sobre isso um dia.
Enfim, voltando ao vídeo, ele repercutiu tanto que a TV portuguesa RTP fez a seguinte reportagem a respeito.



Quem quiser saber mais pode acessar o site dela aqui. Eu recomendo o "Pra lamentar" e as receitas. Sim! O site dela tem receitas, aparentemente a deputada gosta de cozinhar.

24 de março de 2010

Sindicato de ladrões

Se eu tivesse assistido antes provavelmente teria me tornado fã de Marlon Brando muito mais cedo.
Nesse filme de 1954 ambientado no cais, Marlon Brando interpreta maravilhosamente Terry Malloy, um ex-boxeador tido por todos como um vagabundo que se juntou ao irmão Charley (Rod Steiger) em seus negócios escusos. A vida de Terry começa mudar quando entra em cena a senhorita Doyle, cujo irmão foi atraído para uma emboscada por Terry mas o que o ex-boxeador não sabia é que ele seria morto em tal emboscada.
Não é preciso dizer que Terry se encanta pelo jeito determinado da senhorita Doyle que se recusa a desistir de descobrir e denunciar o(s) culpado(s) pela morte de seu irmão.
Entretanto o que realmente prende a atenção nesse filme são os negócio escusos. O filme basicamente se propôs a, da forma mais realista possível, retratar um problema epidêmico nos Estados Unidos da época: a infiltração da máfia nos sindicatos estadunidenses.
Embora tenha se proposto a ser um filme realista o final é um tanto romanceado, o diretor declararia mais tarde que tinha consciência de tal fato mas optou por um final que despertasse a esperança no telespectador justamente por saber que estavam longe de extirpar a máfia de seus sindicatos.
De fato nos Estados Unidos de então a coisa tinha alcançado tal ponto que levariam-se décadas para resolver o problema e se faria necessário a criação de legislação penal específica uma vez que a legislação trabalhista não deu conta de resolver tal coisa.
Se isso não é o suficiente para te fazer assistir, talvez saber que o filme foi indicado ao Oscar em dez categorias e venceu oito, foi indicado ao Bafta onde Marlon Brando venceu na categoria de melhor ator estrangeiro, ao Globo de Ouro onde venceu nas categorias de melhor filme - drama, melhor diretor, melhor ator - drama (Marlon Brando) e melhor fotografia - preto e branco, sem falar no Leão de Ouro, seja o suficiente.

8 de julho de 2009

Na onda Jackson

Uma curiosidade mórbida na esteira da onda Jackson.
Recebi essa informação por e-mail e fui verificar.
Alguém sabia que um dos 15 irmãos do senhor Presidente da República Federativa do Brasil se chama Jackson Inácio da Silva e que ele votou no Alckmin picolé de chuchu no segundo turno da última eleição presidencial? Não acredita? Dê uma busca no google.
Antes que alguém me pergunte se ele sabe de algo a respeito do irmão que nós não sabemos, segundo vi por aí ele só votou no picolé, digo Alckmin, porquê é contra a reeleição.
Reeleição essa que o Lula já foi contra mas concorreu e ganhou. E até a Sandy, essa mesma a filha do Xororó, disse que é contra um terceiro mandato.
Segundo ela nada contra o Lula em si, mas poder corrompe e um presidente tem muito poder. Se ela não me alerta eu nem ia desconfiar . . .