Mostrando postagens com marcador Cazuza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cazuza. Mostrar todas as postagens

7 de março de 2010

O tempo não pára

Ufa! Porque, felizmente, não existem muitas coisas que uma boa noite de sono precedida por algum tempo ocioso na desciclopédia não resolvam meu mau humor passou!
O que não significa que eu voltei a ser a mesma pessoa de antes, nós nunca mais seremos os mesmos porque como já disse o poeta o tempo não pára.

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou o cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha no palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

(Arnaldo Brandão e Cazuza)

23 de agosto de 2009

Cazuza

Conheci Cazuza quando contava com meus dez anos de idade. Naquela época eu tinha apenas duas certezas musicais na minha vida: 1º eu gostava de música e 2º porém não menos importante, eu não gostava do que meus amigos ouviam (eles escutavam coisas maravilhosas ao estilo Sandy e Junior). Faltava alguma coisa e eu não sabia o que.
Foi quando eu vi na TV um pequeno lembrete sobre o aniversário de morte de um cara, um tal de Cazuza, ao fundo a música "Ideologia". E eu soube o que faltava.
Fui ver quem era esse cara e quanto mais eu sabia, quanto mais eu o ouvia, mais eu o admirava.
Posso dizer seguramente que Cazuza mudou minha vida e eu, não apenas meu gosto musical, não seria a mesma sem Cazuza. Com Cazuza descobri o rock, as letras de protesto, a poesia musical, a porra-louquice e eu soube: queria ser assim quando crescesse, queria viver dez anos a mil e não mil a dez, queria viver e não só existir.
O dez anos a mil desacelerou, a vontade de viver ainda não cessou.
Cazuza é o Cara, assim com letra maiúscula, não apenas por sua poesia musical mas também pela sinceridade cruel com que cantou dores e amores, pela coragem de assumir seu estado de soropositivo em uma época cheia de preconceitos, por não ter desistido da vida, por ter composto mais do que nunca depois que soube que ia morrer, porque na época ser soropositivo era sinônimo de morte certa.
Cazuza mudou minha vida, ampliou meus horizontes e me despiu de alguns preconceitos e é por isso que ele tem um lugar só dele na minha pilha de CD's.