19 de abril de 2010

Saudades

Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a Lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!

Nessas horas de silêncio,
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse tom mortuário
Que nos enche de pavor.

Então - proscrito e sozinho -
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra.
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
- Saudades - dos meus amores,
- Saudades - da minha terra!

...1856
Casimiro de Abreu.

27 de março de 2010

Meninos e meninas

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui

Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer

Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?

Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?

Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes

Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar

Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas





Hoje Renato Russo, que nasceu Renato Mandredini Júnior, completaria 50 anos mas os bons morrem cedo e, assim como Cazuza, Renato Russo morreu em decorrência do vírus do HIV em 11 de outubro de 1996.

24 de março de 2010

Sindicato de ladrões

Se eu tivesse assistido antes provavelmente teria me tornado fã de Marlon Brando muito mais cedo.
Nesse filme de 1954 ambientado no cais, Marlon Brando interpreta maravilhosamente Terry Malloy, um ex-boxeador tido por todos como um vagabundo que se juntou ao irmão Charley (Rod Steiger) em seus negócios escusos. A vida de Terry começa mudar quando entra em cena a senhorita Doyle, cujo irmão foi atraído para uma emboscada por Terry mas o que o ex-boxeador não sabia é que ele seria morto em tal emboscada.
Não é preciso dizer que Terry se encanta pelo jeito determinado da senhorita Doyle que se recusa a desistir de descobrir e denunciar o(s) culpado(s) pela morte de seu irmão.
Entretanto o que realmente prende a atenção nesse filme são os negócio escusos. O filme basicamente se propôs a, da forma mais realista possível, retratar um problema epidêmico nos Estados Unidos da época: a infiltração da máfia nos sindicatos estadunidenses.
Embora tenha se proposto a ser um filme realista o final é um tanto romanceado, o diretor declararia mais tarde que tinha consciência de tal fato mas optou por um final que despertasse a esperança no telespectador justamente por saber que estavam longe de extirpar a máfia de seus sindicatos.
De fato nos Estados Unidos de então a coisa tinha alcançado tal ponto que levariam-se décadas para resolver o problema e se faria necessário a criação de legislação penal específica uma vez que a legislação trabalhista não deu conta de resolver tal coisa.
Se isso não é o suficiente para te fazer assistir, talvez saber que o filme foi indicado ao Oscar em dez categorias e venceu oito, foi indicado ao Bafta onde Marlon Brando venceu na categoria de melhor ator estrangeiro, ao Globo de Ouro onde venceu nas categorias de melhor filme - drama, melhor diretor, melhor ator - drama (Marlon Brando) e melhor fotografia - preto e branco, sem falar no Leão de Ouro, seja o suficiente.