31 de julho de 2010

O livro dos contos enfeitiçados

Depois de mais de um mês de ausência cá estou eu, no dia do aniversário do meu querido Harry, para falar de duas coisas das quais gosto muito: livros e magia.
Mas não falarei de Harry Potter, primeiro porque acredito que todo mundo já leu e/ou assistiu, então não tem graça. Segundo porque hoje pela primeira vez desde que me lembro li uma matéria quase legal a respeito do Harry em um site grande que não pertence ao fandom e isso me deixou feliz com a minha dose diária de Harry Potter.
Então vamos ao que interessa. Já faz algum tempo que descobri esse livro nas máquinas do metrô e o que mais me chamou atenção foi a capa. Adorei a arte de Camila Mesquita.


O livro de autoria de Martha Argel reúne sete contos de literatura fantástica, entre os quais eu destacaria o primeiro "Amarelo ... Amarelo", que narra a história de uma artista plástica que de repente se vê às voltas com os cuidados à uma sobrinha que acabara de ficar órfã. A menina nutria uma estranha obsessão por amarelo e é através dessa obsessão infantil que a tia, obcecada em encontrar a beleza perfeita e evidente em suas obras, descobrirá a complexidade da beleza incomum formada pela união de coisas aparentemente simples em demasia. No caso, o amarelo.
Talvez também mereça algum destaque o segundo conto "Eu detesto futebol" afinal ele trata de uma paixão nacional. No conto em questão, bruxas brasileiras cujos maridos ultrapassavam os limites da razoabilidade na opinião delas, se juntam para apagar da história a invenção chamada futebol, quase desnecessário dizer que "o remendo saiu pior que o soneto".
O livro conta ainda com os contos: "O verdadeiro poder"; "O olho vermelho"; "Final feliz"; "O livro dos contos enfeitiçados" e "Sofia" .
Vale a pena sem dúvida!

Coleção: COLEÇÃO NOVOS CAMINHOS
Autor: ARGEL, MARTHA
Editora: LANDY
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - CONTOS E CRÔNICAS
Preço estimado: R$25,00

25 de junho de 2010

Esquadrão da Moda - De muito mau gosto

Primeiro quero que vocês assistam o vídeo a seguir que tem apenas 32 segundos pois todo o post se baseia nele:



Eu acho que entendi o que tentaram dizer, o programa de fato só se preocupa com a moda e não com outras questões sociopolíticas. Tudo bem mas acredito que eles atiraram no que viram e acertaram no que não viram porque o que a chamada não diz, e talvez não quisesse mesmo dizer, mas nos induz a pensar é que no meio da moda aspectos como caráter e respeito aos direitos humanos não importam, o que é um absurdo claro.
Concordo que é um mundo em que se lidam com egos, muitas vezes demasiadamente inflados, mas isso ocorre em muitas áreas. E do modo como foi colocada a questão o que eu vejo é uma futilização da moda e é engano pensar que a moda é apenas isso, ela pode ser isso também mas ela é maior. Tem aspectos interessantíssimos sobre a moda, sua história e evolução. Ou alguém duvida que o guarda-roupa feminino do século XIX, todo ele pensado de modo a restringir os movimentos físicos e explicitar uma suposta fragilidade feminina, era um reflexo e também um mecanismo de reforço à condição restritiva da mulher na sociedade?
Essa chamada é no mínimo de gosto duvidoso e quem a pensou, na minha opinião, não soube transmitir o que, penso eu, de fato quis dizer. E claro prestou um desserviço.

16 de junho de 2010

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa