18 de julho de 2009

Eu faço versos como quem chora
De desalento ... de desencanto ...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente ...
Tristeza esparsa ... remorso vão ...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
eu faço versos como quem morre.


Manuel Bandeira.

Pois realmente creio que é a tristeza mais que a alegria, as lágrimas mais do que os sorrisos que nos tornam humanos e nos impulsionam a escrever. E é a curiosidade perversa, mais que a solidariedade fraternal, que nos impulsiona a ler.

5 comentários:

Renato disse...

Acerbo... (O pensamento logo após o poemma)

Anônimo disse...

Esse poema é tudo

walter disse...

Walter

Para mim, esse poema revela a alma da poesia. É preciso que o leitor se entregue para entender a poesia. Não se deve ler um poema como se lê um livro, uma revista ou um jornal. "Fecha o meu livro se, por agora, não tens motivo nenhum de pranto"

Unknown disse...

Soares

Sem palavras...


Lindo de mais

Unknown disse...

Soares

Sem palavras...


Lindo de mais