13 de dezembro de 2009

Incontentado

Paixão sem grita, amor sem agonia,
Que não oprime nem magoa o peito,
Que nada mais do que possui queria,
E que com tão pouco vive satisfeito . . .

Amor, que os exageros repudia,
Misturado de estima e de respeito,
E, tirando das mágoas alegria,
Fica farto, ficando sem proveito . . .

Viva sempre a paixão que me consome,
Sem uma queixa, sem um só lamento!
Arda sempre esse amor que desanimas!

E eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
O coração, malgrado o sofrimento,
Como um rosal desabrochado em rimas.

Olavo Bilac

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