Felizmente o que eu falo não se escreve e o que eu escrevo não se grava, mudei de ideia! Sai dessa coisa de mês só com posts sobre mulheres, não que eu não goste delas. Veja bem! Muito ao contrário de tal coisa, gosto muitíssimo das mulheres, alguém já disse que elas tem um trato com Deus, certo? Neste caso eu também tenho e me reservo ao direito de mudar de ideia.
Me reservo ao direito de um monte de coisas, de não atender o telefone quando não estou a fim, de não sair de casa, de dormir o dia inteiro mesmo sabendo que tenho outras coisas para fazer, me reservo ao direito de pensar o que, em quem e quando quiser e somente se quiser. Me reservo até mesmo ao direito de sentir culpa de vez em quando. E de não sentir culpa, porque não? E de não sentir nada, pois não?
E assim, de reserva em reserva vou me reservando, me guardando não sei para quê ou para quem. Erguendo barreiras invisíveis, me protegendo desse mundo cão, cheio de pessoas não confiáveis, que estão logo ali no seu quintal!
Sem mencionar as pessoas doidas, as que não te vêem, não te escutam e as do pior tipo: as que fingem que se importam. Essas sem dúvida são as piores e porque estou em um desses dias em que você caga e anda para o mundo eu espero que todas elas se fodam, se explodam e morram!!!
Tá, talvez eu não queira realmente que elas morram mas não quero vê-las nem ouvi-las, não quero nada!
E em dias assim eu fico péssima, as letras se juntam mas não formam nada que presta e o silêncio . . . Oh o silêncio! Odeio o silêncio.
Aliás odeio um monte coisas.
Mas o que nesse momento me aborrece, porque a impossibilidade de confiar remexeu em montes gigantescos de neuroses ainda não trabalhadas na terapia, o que realmente me aborrece é essa gente doida que acha que em um mês se pode esquecer de tudo e seguir a diante com outra pessoa mesmo que a outra pessoa seja só você mesmo. Me aborrece a incapacidade sempre constante que carrego, desde que tive o desprazer de conhecer a Igreja e a culpa tipicamente católica, de me expressar, de falar com pessoas e me arriscar. Me aborreço comigo mesma e me enlouqueço!! Sei que não existe outro no mundo que seja responsável por minhas angústias, culpas, medos e solidão que não eu mesma.
Eu quero correr, quero gritar mas não quero fugir, o que me faz pensar que talvez a terapia esteja dando os primeiros sinais de que funciona, os meus ouvidos de aluguel. Por que no fundo é isso não? Um par de ouvidos de aluguel e uma boca inconveniente, que diz verdades óbvias e muito incômodas só para te obrigar a lidar com fatos que seria mais fácil esquecer. Mas não se pode esquecer o passado, especialmente quando tomamos consciência de que são todos os nossos ontens que formam o nosso hoje e que impreterivelmente formarão parte fundamental do amanhã.
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