Minha avó diz que nascer e morrer são basicamente a mesma coisa. Você nasce sozinho, você morre sozinho. Pronto ou não, a vida acontece e a morte também.
Talvez seja justo dizer que o luto também é solitário. Não importa quanto apoio você receba e ofereça, as lembranças e arrependimentos que lhe ocorrem são seus e somente seus.
Ainda que hajam muitos tapinhas nas costas, sorrisos tristes que não alcançam os olhos e, para alguns mais afeitos a demonstrações públicas de sentimentos intensos, lágrimas e soluços . . . ainda assim é solitário.
Talvez, seja solitário porque todos temos segredos e temores que não compartilhamos com ninguém. Talvez, seja solitário porque no fundo todos temos medo da imensidão desconhecida representada pela morte. Talvez seja solitário, simplesmente porque sentir seja, em última análise, uma aventura individual que às vezes, ou muitas vezes, compartilhamos com os outros. Talvez seja solitário porque dizer adeus é abrir mão, não só de quem vai, mas também de um pedaço seu que pertencia ao outro.
E a parte mais difícil de dizer adeus é saber como fazê-lo.
Como dizer adeus quando acabamos de dizer olá?
Nessa coisa acidental que nos acontece, e carinhosamente apelidamos de viver, algumas coisas simplesmente acontecem cedo demais.
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