7 de março de 2010

O tempo não pára

Ufa! Porque, felizmente, não existem muitas coisas que uma boa noite de sono precedida por algum tempo ocioso na desciclopédia não resolvam meu mau humor passou!
O que não significa que eu voltei a ser a mesma pessoa de antes, nós nunca mais seremos os mesmos porque como já disse o poeta o tempo não pára.

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou o cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha no palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

(Arnaldo Brandão e Cazuza)

6 de março de 2010

Ainda inconstante

Felizmente o que eu falo não se escreve e o que eu escrevo não se grava, mudei de ideia! Sai dessa coisa de mês só com posts sobre mulheres, não que eu não goste delas. Veja bem! Muito ao contrário de tal coisa, gosto muitíssimo das mulheres, alguém já disse que elas tem um trato com Deus, certo? Neste caso eu também tenho e me reservo ao direito de mudar de ideia.
Me reservo ao direito de um monte de coisas, de não atender o telefone quando não estou a fim, de não sair de casa, de dormir o dia inteiro mesmo sabendo que tenho outras coisas para fazer, me reservo ao direito de pensar o que, em quem e quando quiser e somente se quiser. Me reservo até mesmo ao direito de sentir culpa de vez em quando. E de não sentir culpa, porque não? E de não sentir nada, pois não?
E assim, de reserva em reserva vou me reservando, me guardando não sei para quê ou para quem. Erguendo barreiras invisíveis, me protegendo desse mundo cão, cheio de pessoas não confiáveis, que estão logo ali no seu quintal!
Sem mencionar as pessoas doidas, as que não te vêem, não te escutam e as do pior tipo: as que fingem que se importam. Essas sem dúvida são as piores e porque estou em um desses dias em que você caga e anda para o mundo eu espero que todas elas se fodam, se explodam e morram!!!
Tá, talvez eu não queira realmente que elas morram mas não quero vê-las nem ouvi-las, não quero nada!
E em dias assim eu fico péssima, as letras se juntam mas não formam nada que presta e o silêncio . . . Oh o silêncio! Odeio o silêncio.
Aliás odeio um monte coisas.
Mas o que nesse momento me aborrece, porque a impossibilidade de confiar remexeu em montes gigantescos de neuroses ainda não trabalhadas na terapia, o que realmente me aborrece é essa gente doida que acha que em um mês se pode esquecer de tudo e seguir a diante com outra pessoa mesmo que a outra pessoa seja só você mesmo. Me aborrece a incapacidade sempre constante que carrego, desde que tive o desprazer de conhecer a Igreja e a culpa tipicamente católica, de me expressar, de falar com pessoas e me arriscar. Me aborreço comigo mesma e me enlouqueço!! Sei que não existe outro no mundo que seja responsável por minhas angústias, culpas, medos e solidão que não eu mesma.
Eu quero correr, quero gritar mas não quero fugir, o que me faz pensar que talvez a terapia esteja dando os primeiros sinais de que funciona, os meus ouvidos de aluguel. Por que no fundo é isso não? Um par de ouvidos de aluguel e uma boca inconveniente, que diz verdades óbvias e muito incômodas só para te obrigar a lidar com fatos que seria mais fácil esquecer. Mas não se pode esquecer o passado, especialmente quando tomamos consciência de que são todos os nossos ontens que formam o nosso hoje e que impreterivelmente formarão parte fundamental do amanhã.
Talvez, simplesmente me falte a coragem para confiar . . . e nesses dias tudo me aborrece!


4 de março de 2010

Trabalho de homem, trabalho de mulher

No dia 08 março se "comemora" o dia internacional da mulher. Por essa razão decidi que este mês só vai ter posts com essa temática.
Quero começar discutindo o trabalho, meio indispensável para a manutenção, não apenas da sobrevivência mas também e principalmente, da dignidade de todo e qualquer ser humano. Supostamente existem trabalhos de homem e trabalhos de mulher . . .
Foi no século XIX que a divisão de tarefas e a segregação sexual dos espaços alcançou seu ponto alto, buscando definir ao máximo os lugares de cada um.
A identidade social tanto de homens quanto de mulheres é construída através de papéis sociais distintos, ou seja, a sociedade delimita com bastante precisão os espaços em que a mulher pode operar assim como os espaços em que os homens podem operar. No século XIX os lugares que se atribuíram às mulheres foram a maternidade e o lar, sendo a participação no trabalho assalariado temporário, de acordo com as necessidades da família, sempre como um complemento, uma “ajuda” à renda do marido. Esse papel social da mulher sobrevive até os dias presentes. A educação e a socialização dos filhos é uma tarefa tradicionalmente atribuída às mulheres.
Ao homem do século XIX coube o monopólio da escrita e da coisa pública. A escrita feminina era então estrita e específica: livros de cozinha, manuais de educação e contos recreativos, constituem em geral esta literatura. Mesmo nos dias de hoje em que os homens já não detém o monopólio do espaço púbico tanto quanto antes, a participação das mulheres na política, especificamente no Brasil, é ínfimo. Nas ocasiões em que essas mulheres conseguem se eleger acabam “empurradas” para setores como educação e assistência social, que nada mais são do que extensões de seu papel social de mãe e enfermeira, naturalizando-se deste modo um resultado da história.
A sociedade investe pesado na naturalização desses papéis sociais, tenta fazer crer que a atribuição dos afazeres domésticos à mulher é fruto de sua capacidade de ser mãe. Atribuem a fragilidade feminina à sua constituição física e não a sua imobilidade dentro da sociedade.
É evidente que seres humanos nascem machos ou fêmeas, como a maioria dos animais. Mas é através da educação que eles constroem suas identidades sociais e se tornam homens ou mulheres.
E depois a gente conversa mais a respeito! ;)